Quando cheguei em Doha para trabalhar na área de Workforce da Copa de 2022, achava que sabia o que esperar. Eu já tinha trabalhado com tecnologia, prazos e equipes espalhadas pelo mundo. Mesmo assim, o que encontrei foi diferente de tudo.

Foram milhares de voluntários, centenas de milhares de candidatos no processo de seleção, equipes de vários países e um prazo que não perdoava erro. Numa operação dessas, um problema pequeno em um sistema vira um problema grande em poucas horas. As coisas escalam rapidamente até o topo e não há tempo para correr atrás depois, você e sua equipe fica desmoralizada e perde prestígio.

Doha e os seus arranha céus

Talento sozinho não resolve

No começo, eu achava que o segredo estava nas pessoas mais experientes. Quem tinha mais bagagem resolveria os problemas. Não demorou para perceber que isso não se sustenta. Um excelente profissional com um processo ruim vai sofrer, e um processo bom com uma equipe desalinhada também não anda.

Pode soar como clichê, mas o que faz a diferença é o encaixe entre três coisas: a tecnologia certa, processos claros e pessoas que sabem o que fazer com eles. Quando uma dessas peças falha, as outras duas não compensam.

Eu trabalho em pequenas tarefas

Na prática, o que me ajudou muito foi dividir tudo em micro-tarefas. Em vez de planejar um projeto enorme (realmente é enorme) e esperar meses para ver o resultado, eu quebrava o trabalho em partes pequenas, com entregas claras e revisões semanais.

Essa forma de trabalhar vem do método ágil, usado em desenvolvimento de software. A ideia é simples: entregar algo funcionando, olhar o resultado, ajustar e seguir em frente. Parece óbvio, mas em um ambiente de alta pressão é isso que evita que pequenos erros se tornem crises.

Os bastidores dos uniformes dos voluntários

Um mega evento é uma startup

Foi aí que entendi uma coisa que hoje repito para quase todo fundador com quem converso: um mega evento funciona como uma startup. Reúne-se um grupo de pessoas, desenvolve-se uma ideia, coloca-se a operação no ar, desmonta-se o que não funcionou e passa-se para a próxima etapa.

A diferença é só a escala e a velocidade. Em vez de meses, você tem semanas. Em vez de algumas dezenas de pessoas, centenas ou milhares. Mas a lógica é a mesma, e quem consegue operar bem nesse ritmo aprende muito rápido sobre o que realmente importa.

O que isso tem a ver com startups

Quando avalio uma startup hoje, eu me faço uma pergunta que vem direto dessa experiência: “esse fundador consegue executar?”

Não basta ter uma boa ideia ou uma apresentação bonita. Eu olho para como a pessoa organiza o trabalho, se ela sabe quebrar um objetivo grande em passos pequenos, se ela reage bem quando algo dá errado e se a equipe está alinhada em torno do mesmo resultado.

Aprendi isso na prática, em um lugar onde havia bastante espaço para improviso, o que interessa é consertar e evitar que ele ocorra. Ou seja, idêntico a uma startup.

Hoje levo essa lição para quem está construindo um negócio do zero.

Cuidado não pise na grama


Quer conversar sobre isso? Se você está construindo uma startup e quer pensar em como organizar seu trabalho em etapas que funcionem, me conte o seu caso.